domingo, 22 de janeiro de 2012

A vida e a morte de um celular

Ele veio tão belo. Nele recebi incontáveis ligações inesquecíveis, lembro como se fosse ontem Jeffree Star cantando Prisoner no meu toque, li e reli mensagens que tocaram minha alma. Mensagens tão difíceis de apagar. Até que um dia ocorreu o inesperado: ele se achou dono de si, achou-se um mergulhador, um saltador, um nadador, achou que fosse um dançarino aquático, escapou das minhas mãos, deu dois giros no ar e caiu nas águas espirais de uma privada em processo de descarga. Oh Deus, por quê? Tão bom ele foi em sua curta vida! Eu não pude suportar sua dor, e mesmo embravecida com sua fuga desvairada, eu fui em seu auxílio. Eu o salvei das águas profundas de uma privada desconhecida, mas não pude salvá-lo da morte.
Apesar de ter tentado de tudo - um berço de arroz, um banho de álcool - não fui capaz de trazê-lo de volta. Muitas vieram e muitos se foram em outras loucuras da vida, e quando eu menos esperava, mas quando mais precisei dele, ele ressuscitou. Foi um júbilo de repente vê-lo de volta a minha vida. Nunca mais eu precisaria recorrer a uma velharia. Foram mais uns meses de satisfação desmedida, de viver como se não houvesse o amanhã.
Foi quando ele enlouqueceu. Ele não sabia quem era. Ela não sabia sua função. Ele não sabia mais a quem pertencia. E mais uma vez se achou dono de si. Trocava suas teclas, negava-se a funcionar, ia e vinha pelos perfis de voo, de reunião, online e offline, silencioso e geral. Sem que eu ao menos o tocasse, ele se auto-definia, ele se proclamou um independente. E aí passou a tentar o suicídio. Perdi as contas de quantas vezes o vi desligar-se sem razão aparente. Eu o salvei enquanto me foi possível, mas enquanto eu dormia, ele se aproveitou de minha nobre inconsciência e se matou.
Triste fim, oh Clemêncio, Colombina, Evangeline, Pierrot, seja lá qual seu nome for! Por que se foi? Por que me deixou assim, nesse mar de desordem, aflita e sem um aparelho que me coubesse tão bem quanto tu me coubeste?
Essa foi a triste história de um velho e bom companheiro, que um dia chegou até mim, morreu, ressurgiu das cinzas como uma fênix, enlouqueceu, e morreu definitivamente.
Adeus, Xpressdoaldo Musicsilvano
tu foste um guerreiro.

2 comentários:

  1. Foi um guerreiro!
    Mereceu o post!

    Meus pêsames .. tenha a certeza de que tudo isso vai passar

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  2. sim, ele foi para um bolso melhor çç

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